Palavra do Presidente Telemedicina

O mundo pós-Covid-19. Por quais caminhos a área da saúde suplementar deve trilhar?

Dr. Marcelo Mattar
Diretor Presidente da Medilar

Sacudido pelo coronavírus e completamente atordoado pelas consequências que a pandemia impingiu, o mundo pós-covid-19 nos reserva uma única certeza, a transformação. Muitas das adaptações de hoje possivelmente se tornarão o comum de amanhã, especialmente no relacionamento empresa x consumidor. Quem não estiver pronto para encarar essa realidade inescapável poderá sucumbir diante do novo.

Com múltiplos aspectos desafiadores, a pandemia desatou uma forte crise no setor da saúde, ceifando vidas aos milhares, aqui e ao redor do mundo, e causando sérios danos ao sistema hospitalar, o que por si só já seria um fator de grande consternação. Mas, como se isso não bastasse, temos em paralelo, as preocupações econômicas, já que empresas e indústrias de grande parte dos setores estão sendo impactadas pela paralisação forçada das atividades.

Depois do trauma de 2015, quando o Brasil viveu uma crise econômica sem precedentes, agora, novamente, o segmento da saúde suplementar vive um momento de inflexão. Se hoje quase 47 milhões de brasileiros têm acesso a planos de saúde, cerca de 80% desse público faz parte dos chamados planos coletivos. O que isso significa? Caso percam seus empregos, esses profissionais irão perder seu convênio saúde.

Diante desse cenário, há solução para as operadoras? Sim, sem dúvida alguma!

Na minha visão, há três caminhos que merecem atenção:

Aproximação com o beneficiário

Estreitar o relacionamento com o beneficiário, trazendo-o para mais perto, é muito importante. Para isso, é essencial reforçar para o cliente a importância de se contar com a saúde suplementar, especialmente nesse momento em que um vírus pode gerar tantas complicações de saúde. Em seguida, é preciso personalizar cada vez mais os serviços e produtos oferecidos, para que esse consumidor se sinta cada vez mais acolhido e melhor atendido.

Inteligência direcionada por dados

Já ouviu falar sobre o conceito data-driven? Nada mais é do que ter uma base sólida de dados, para, a partir desse conhecimento, tomar decisões de negócio baseado em números, ou seja, em algo tangível (e não em suposições). É preciso compilar e analisar a performance geral, incluindo resultados financeiros e operacionais, para entender quais são os pontos a desenvolver, os melhores caminhos e as soluções para seguir prestando os serviços de forma rentável, segura e com qualidade.

Redução de custos

Devido a pandemia do COVID-19 os custos de uma operadora de saúde, que já eram altos, passaram a ficar ainda maiores. Mas existem soluções inteligentes e criativas no mercado, capazes de ajudar essas empresas a reduzirem seus custos de operação. Busque essas soluções com empresas sólidas do setor da saúde e que possuem expertise no seu negócio.  É importante ressaltar, que terceirizar partes do seu trabalho, não significa que você perderá o controle e a qualidade dos serviços/produtos ofertados para seus clientes, pelo contrário, essa escolha lhe disponibilizará mais tempo para cuidar de outras partes do seu negócio que merecem mais atenção. Além disso, empresas que estão há anos no mercado e são especialistas, podem trazer resultados melhores, com menor custo e alta qualidade.

O que a pandemia trouxe à luz?

É claro que o desastre da pandemia será eternamente lembrado pelas perdas de vidas e pelo monumental desarranjo causado na sociedade como um todo. Contudo, é preciso observar que por causa dessa crise, algumas boas iniciativas na área da saúde foram implementadas e deverão permanecer em nosso dia a dia, mesmo após a pandemia acabar.

A telemedicina é um bom exemplo disso. Ainda que já existisse no modelo de Orientação Médica por Telefone, a Telemedicina passou a ser melhor explorada e ganhou notoriedade por causa da crise sanitária. Após a pandemia, ela estará ainda mais presente na vida de milhares de brasileiros e desenvolverá um papel muito importante, por exemplo, no controle de doentes crônicos – esse grupo poderá ser assistido mais de perto com as soluções trazidas pela telemedicina – e na Atenção Primária à Saúde (APS). O redesenho do sistema é uma forma de se evitar a proliferação e o agravamento das doenças e a consequente sobrecarga do sistema de saúde. A integração de ações preventivas e curativas deve mais do que nunca ser prioridade para pessoas do Brasil inteiro.

Ao longo dos últimos meses, nos EUA, pesquisamos e estudamos muito sobre recursos da telemedicina. Tudo para facilitar, melhorar e aumentar a segurança de pacientes estáveis, que buscam acesso a consultas eletivas, praticadas por médicos, assim como monitoramento de parâmetros clínicos a distância de pacientes graves, do grupo Home Care, reduzindo reinternações e morbi-mortalidade.

Em breve nossos recursos estarão disponíveis trazendo ganhos inquestionáveis para médicos, operadoras de saúde e acima de tudo, para os pacientes.

É, muita coisa vai mudar na saúde suplementar, principalmente, depois que passarmos por essa pandemia. Algumas dessas mudanças nos colocarão à prova, especialmente quando pensamos em modelos de negócio. Será preciso reinventar, criar e se adaptar rápido, até porque, muitas dessas modificações já estão batendo freneticamente à nossa porta. E caberá a cada um de nós a escolha de abri-la ou não.

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