Garantir a segurança do paciente não pode depender da sorte

O Dr. Marcelo, fundador da Medilar, tinha uma frase que eu nunca esqueci: “Ambulância tem 4 rodas para rodar.”Simples, direta. Mas carregada de um peso que só quem trabalha na assistência pré-hospitalar conhece de verdade.

Uma ambulância é um ambiente clínico em movimento. Uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) sobre rodas, em condições imprevisíveis, distante da unidade hospitalar. Garantir a segurança do paciente nesse contexto não pode depender da sorte. Precisa ser construído, monitorado e aprimorado todos os dias. Foi com essa convicção que consolidamos o NSP: o Núcleo de Segurança do Paciente da Medilar – comissão que tenho a responsabilidade e o privilégio de liderar. 

Quando a Medilar atende as operadoras do sistema Unimed e empresas conveniadas, o paciente que embarca em nossas ambulâncias é o seu beneficiário. A qualidade da nossa assistência impacta diretamente a experiência do seu associado/colaborador e a reputação da sua operadora/empresa. O NSP existe para garantir que cada detalhe desse atendimento esteja sob controle. 

Na prática, isso significa farmacovigilância semanal — nossas farmacêuticas verificam regularmente os comunicados da Anvisa para garantir que nenhum medicamento suspenso ou lote reprovado chegue às nossas ambulâncias. Significa monitoramento contínuo de equipamentos, com checklists que já estão na versão 8.0 e registram cada teste realizado em cardioversores, respiradores e bombas de infusão. E significa, sobretudo, uma cultura séria de registro e análise de eventos adversos: quando algo não sai como deveria, investigamos a causa raiz, aplicamos metodologias reconhecidas como o Diagrama de Ishikawa e o Protocolo de Londres, e transformamos o que poderia ser um erro silencioso em aprendizado real para toda a operação. 

Esse trabalho já gerou avanços concretos: a implantação dos 9 certos da administração de medicamentos, o desenvolvimento do Manual de Diluição de Medicamentos e a criação de protocolos específicos para perfis como pacientes obesos, autistas e idosos em situação de vulnerabilidade. Cada protocolo nasceu de uma pergunta simples que alguém teve coragem de fazer: será que estamos fazendo do jeito certo? 

Há ainda um desafio que poucos conseguem dimensionar de fora: a Medilar opera em 12 estados brasileiros, com culturas e realidades operacionais completamente diferentes. Padronizar segurança assistencial nesse contexto é o trabalho diário do NSP. E a régua que usamos é objetiva — em cada auditoria interna, cada operação é avaliada em 12 itens específicos de segurança do paciente. 

A conquista que mais me orgulha, no entanto, não está em nenhum checklist. Está na mudança de mentalidade das equipes. Hoje, os profissionais entendem que registrar uma falha não é assumir uma culpa, é criar uma oportunidade de aprendizado. Quando isso vira cultura, a segurança do paciente deixa de ser uma obrigação regulatória e passa a ser uma postura coletiva, consciente e contínua. 

A segurança não é um diferencial. É uma obrigação. No fundo, é o que resume tudo o que fazemos: cuidamos do cliente dos nossos clientes. E é o maior reflexo do respeito que temos pela vida das pessoas que nos são confiadas. 

Até breve,  

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Medilar Blog

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Verified by MonsterInsights